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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Esta é a nossa fé — 12 — Gerado, não criado



O «Credo Niceno-Constantinopolitano» contém várias expressões relativas à divindade de Jesus Cristo, o Filho, a Segunda Pessoa da Trindade, como mostram as reflexões anteriores (cf. catequeses 8 a 11). No Concílio realizado em Niceia, no ano 325 d.C., introduz-se no «Credo» uma nova terminologia, que pretende estabelecer uma distinção muito clara entre «gerado» e «criado». Daí resultou a expressão atribuída a Jesus Cristo quando proclamamos o «Credo»: «gerado, não criado».
Para ajudar a compreender melhor, leia:
- Salmo 2;
- Catecismo da Igreja Católica, 238-242.

«Tu és meu filho, Eu hoje te gerei»
É uma frase original do Salmo 2, que o Novo Testamento e a tradição cristã utilizam para se referirem a Jesus Cristo; e desta forma atestam a geração do Filho, a Segunda Pessoa da SS. Trindade. O Salmo 2 está relacionado com a entronização do rei; utiliza o termo «filho» em sentido figurado aplicado ao rei. Para o salmista, no dia da sua entronização, o rei era «gerado» por Deus. Vários exegetas explicam este versículo dizendo que «eu hoje te gerei», quer dizer «neste dia eu te designei para seres ungido como rei». Assim, de acordo com esta interpretação, estabelecia-se uma relação direta entre a realeza e a divindade. Digamos que, para o povo bíblico, o rei não era apenas uma escolha humana, mas também uma eleição divina. O profeta Natan, quando da revelação das promessas de Deus a Davi, usa uma terminologia idêntica: «eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho». Também esta expressão será retomada pelo autor da Carta aos Hebreus (1, 5) para aplicá-la a Jesus Cristo. A citação do Salmo 2 — «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei» — é aplicada a Jesus Cristo por três vezes no Novo Testamento: uma no livro dos Atos dos Apóstolos (13, 33); e duas na Carta aos Hebreus (1, 5; 5, 5).

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Esta é a nossa fé — 11 — Deus verdadeiro de Deus verdadeiro



A reduplicação da divindade de Jesus Cristo expressa no «Credo» não acrescenta, apenas reforça a doutrina trinitária acerca de Deus. O que se proclama, de novo, é a natureza divina de Jesus Cristo por inteiro. Jesus Cristo é Deus a partir do próprio Deus: «Deus verdadeiro de Deus verdadeiro».
Para ajudar a compreender melhor, leia:
- 1ª Carta de João 2, 21-25;


- Catecismo da Igreja Católica, 249-256; 261-262  — os mesmos da catequese anterior.

«Todo aquele que nega o Filho fica sem o Pai; aquele que confessa o Filho tem também o Pai» — este comentário da Primeira Carta de João revela as linhas essenciais da falsa doutrina defendida pelos «anticristos», como os classifica o autor da Carta. Esta heresia considerava impossível o mistério da Encarnação. Mas, para o autor da Carta, negar a divindade de Jesus significava não estar em comunhão com o Pai (Deus). Negar a identidade de Jesus Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro homem) significava ser «anticristo». Podemos depreender através de toda a Primeira Carta de João que se tratava de uma doutrina bastante difundida e com muita aceitação entre os cristãos.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Esta é a nossa fé — 10 — Deus de Deus, Luz da Luz



A convocação do Concílio de Nicéia, em 325, teve como principal objetivo definir a divindade de Jesus Cristo, sem qualquer reserva. Esta foi uma tentativa de fazer desaparecer as doutrinas que colocavam em causa a natureza divina de Jesus Cristo. Por isso, de forma reduplicativa, o «Credo» resultante desse Concílio sublinha que Jesus Cristo é Deus a partir do próprio Deus: «Deus de Deus, Luz da Luz».
Para ajudar a compreender melhor, ler:
- João 1, 1-14;
- Catecismo da Igreja Católica, números 249-256; 261-262.

«O Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus»
Esta proclamação inicial do evangelho de S. João faz parte de um dos hinos mais belos de todo o Novo Testamento. Não são expressões abstratas ou simples enunciados filosóficos; para o evangelista — e para as comunidades que já conheciam este hino — são afirmações de fé sobre a divindade de Cristo. O «Verbo» é a tradução latina do grego «Logos» que significa «Palavra». Com este termo, o hino refere-se à pessoa divina de Jesus Cristo. Neste hino estão elencados os principais temas que vão ser desenvolvidos ao longo de todo o evangelho segundo João. Entre outros, o tema da Luz, referido no «Credo», é um dos que está em destaque: «E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas. O Verbo era a Luz verdadeira» (cf. João 1, 4-9).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Esta é a nossa fé — 9 — Nascido do Pai antes de todos os séculos



A afirmação da identidade divina de Jesus Cristo ocupa uma parte significativa do «Credo Niceno-constantinopolitano». Nos outros «Credos» (o Batismal e o Símbolo dos Apóstolos) essa referência está apenas associada à filiação («seu único Filho»). As discussões posteriores sobre a divindade de Jesus Cristo levaram a Igreja a explicitar com mais ênfase essa mesma realidade, tal como está expressa no «Credo» que surgiu dos Concílios de Niceia e Constantinopla.
Para ajudar a compreender melhor, ler:
- João 17, 1-26;
- Catecismo da Igreja Católica, números 249-256

 «Aquela glória que eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir» 
         Esta é uma das afirmações que encontramos no evangelho segundo João para referir a existência do Filho, a segunda pessoa da SS. Trindade, antes do ato criador. Logo no início o evangelista afirma: «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus» (João 1, 1). E ao terminar este prólogo acrescenta: «A Deus jamais alguém viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer» (João 1, 18). «Eu e o Pai somos um» — afirma Jesus numa das controvérsias com os dirigentes judaicos. E, num dos diálogos com os discípulos, concluiu: «Eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo» (João 16, 27-28). É desnecessário elencar aqui todas as referências bíblicas. O mais importante é reforçar a ideia de que há uma profunda relação entre o Pai e o Filho.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Esta é a nossa fé — 8 — Filho Unigênito de Deus



No «Credo» proclamamos que o ser humano Jesus, que nasceu e viveu num momento histórico documentado, é o próprio Filho de Deus. Estamos refletindo (às vezes repetindo) sobre a identidade divina de Jesus Cristo. Esta repetição patente no texto do «Credo» é consequência das discussões que marcaram — e porventura ainda marcam — a história da nossa fé cristã.
Para ajudar a compreender melhor, leia:
- João 3, 16-21;
- Catecismo da Igreja Católica, números 441 a 445
«Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigênito, a fim de que todo o que nele crê não se pereça, mas tenha a vida eterna» — esta afirmação de Jesus no diálogo com Nicodemos destaca um tema muito presente no evangelho segundo João: o carácter universal da obra salvadora realizada por Jesus Cristo. O ponto de partida é o amor de Deus pelos seres humanos. Perante esta lógica divina, o ser humano pode acolher ou recusar o amor de Deus Pai, que se revela na Pessoa do Filho, Jesus Cristo. Aqueles que acolhem pela fé este amor divino encontram o que ninguém pode alcançar pelas suas próprias forças: a vida eterna, isto é, a vida em Deus. E recebem o «poder de se tornarem filhos de Deus» (João 1, 12). Diz o Papa Bento XVI: «A nossa verdadeira ‘genealogia’ é a fé em Jesus, que nos dá uma nova proveniência, nos faz ‘nascer de Deus’» (Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Prólogo — A infância de Jesus»).