Páginas

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Esta é a nossa fé — 11 — Deus verdadeiro de Deus verdadeiro



A reduplicação da divindade de Jesus Cristo expressa no «Credo» não acrescenta, apenas reforça a doutrina trinitária acerca de Deus. O que se proclama, de novo, é a natureza divina de Jesus Cristo por inteiro. Jesus Cristo é Deus a partir do próprio Deus: «Deus verdadeiro de Deus verdadeiro».
Para ajudar a compreender melhor, leia:
- 1ª Carta de João 2, 21-25;


- Catecismo da Igreja Católica, 249-256; 261-262  — os mesmos da catequese anterior.

«Todo aquele que nega o Filho fica sem o Pai; aquele que confessa o Filho tem também o Pai» — este comentário da Primeira Carta de João revela as linhas essenciais da falsa doutrina defendida pelos «anticristos», como os classifica o autor da Carta. Esta heresia considerava impossível o mistério da Encarnação. Mas, para o autor da Carta, negar a divindade de Jesus significava não estar em comunhão com o Pai (Deus). Negar a identidade de Jesus Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro homem) significava ser «anticristo». Podemos depreender através de toda a Primeira Carta de João que se tratava de uma doutrina bastante difundida e com muita aceitação entre os cristãos.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Esta é a nossa fé — 10 — Deus de Deus, Luz da Luz



A convocação do Concílio de Nicéia, em 325, teve como principal objetivo definir a divindade de Jesus Cristo, sem qualquer reserva. Esta foi uma tentativa de fazer desaparecer as doutrinas que colocavam em causa a natureza divina de Jesus Cristo. Por isso, de forma reduplicativa, o «Credo» resultante desse Concílio sublinha que Jesus Cristo é Deus a partir do próprio Deus: «Deus de Deus, Luz da Luz».
Para ajudar a compreender melhor, ler:
- João 1, 1-14;
- Catecismo da Igreja Católica, números 249-256; 261-262.

«O Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus»
Esta proclamação inicial do evangelho de S. João faz parte de um dos hinos mais belos de todo o Novo Testamento. Não são expressões abstratas ou simples enunciados filosóficos; para o evangelista — e para as comunidades que já conheciam este hino — são afirmações de fé sobre a divindade de Cristo. O «Verbo» é a tradução latina do grego «Logos» que significa «Palavra». Com este termo, o hino refere-se à pessoa divina de Jesus Cristo. Neste hino estão elencados os principais temas que vão ser desenvolvidos ao longo de todo o evangelho segundo João. Entre outros, o tema da Luz, referido no «Credo», é um dos que está em destaque: «E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas. O Verbo era a Luz verdadeira» (cf. João 1, 4-9).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Esta é a nossa fé — 9 — Nascido do Pai antes de todos os séculos



A afirmação da identidade divina de Jesus Cristo ocupa uma parte significativa do «Credo Niceno-constantinopolitano». Nos outros «Credos» (o Batismal e o Símbolo dos Apóstolos) essa referência está apenas associada à filiação («seu único Filho»). As discussões posteriores sobre a divindade de Jesus Cristo levaram a Igreja a explicitar com mais ênfase essa mesma realidade, tal como está expressa no «Credo» que surgiu dos Concílios de Niceia e Constantinopla.
Para ajudar a compreender melhor, ler:
- João 17, 1-26;
- Catecismo da Igreja Católica, números 249-256

 «Aquela glória que eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir» 
         Esta é uma das afirmações que encontramos no evangelho segundo João para referir a existência do Filho, a segunda pessoa da SS. Trindade, antes do ato criador. Logo no início o evangelista afirma: «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus» (João 1, 1). E ao terminar este prólogo acrescenta: «A Deus jamais alguém viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer» (João 1, 18). «Eu e o Pai somos um» — afirma Jesus numa das controvérsias com os dirigentes judaicos. E, num dos diálogos com os discípulos, concluiu: «Eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo» (João 16, 27-28). É desnecessário elencar aqui todas as referências bíblicas. O mais importante é reforçar a ideia de que há uma profunda relação entre o Pai e o Filho.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Esta é a nossa fé — 8 — Filho Unigênito de Deus



No «Credo» proclamamos que o ser humano Jesus, que nasceu e viveu num momento histórico documentado, é o próprio Filho de Deus. Estamos refletindo (às vezes repetindo) sobre a identidade divina de Jesus Cristo. Esta repetição patente no texto do «Credo» é consequência das discussões que marcaram — e porventura ainda marcam — a história da nossa fé cristã.
Para ajudar a compreender melhor, leia:
- João 3, 16-21;
- Catecismo da Igreja Católica, números 441 a 445
«Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigênito, a fim de que todo o que nele crê não se pereça, mas tenha a vida eterna» — esta afirmação de Jesus no diálogo com Nicodemos destaca um tema muito presente no evangelho segundo João: o carácter universal da obra salvadora realizada por Jesus Cristo. O ponto de partida é o amor de Deus pelos seres humanos. Perante esta lógica divina, o ser humano pode acolher ou recusar o amor de Deus Pai, que se revela na Pessoa do Filho, Jesus Cristo. Aqueles que acolhem pela fé este amor divino encontram o que ninguém pode alcançar pelas suas próprias forças: a vida eterna, isto é, a vida em Deus. E recebem o «poder de se tornarem filhos de Deus» (João 1, 12). Diz o Papa Bento XVI: «A nossa verdadeira ‘genealogia’ é a fé em Jesus, que nos dá uma nova proveniência, nos faz ‘nascer de Deus’» (Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Prólogo — A infância de Jesus»).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Esta é a nossa fé — 7 — Creio em um só Senhor, Jesus Cristo



O segundo artigo do «Credo» é dedicado a Jesus Cristo, a segunda Pessoa de Deus (Uno e Trino). «Jesus Cristo é o Senhor» é uma afirmação de fé comum aos primeiros cristãos. É também a afirmação inicial sobre Jesus Cristo presente no «Credo», como vamos acolher no tema desta semana.
Para ajudar a compreender melhor, leia:
- João 13, 3-15;
- Catecismo da Igreja Católica, números 422 a 440 e 446 a 455

«Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou» — ao dizer isto, o próprio Jesus mostra aos Apóstolos qual é o seu senhorio, através do gesto de lhes lavar os pés. Na cultura daquele tempo e lugar, ser o «Mestre e o Senhor» equivalia a dizer que era aquele que tinha o controlo, o domínio sobre todos os outros, a total autoridade para tomar uma decisão. O «senhor» designava o dono dos servos e dos escravos. Em maiúscula, os romanos utilizavam-no para se referirem ao Imperador. Os judeus atribuíam este título a Deus. Ora, no texto joanino, Jesus revela algo de «escandaloso». Ao contrário das regras sociais, o que é designado como «Senhor» é o que se ajoelha para lavar os pés aos servos. E é desta forma que Jesus Cristo se dá a conhecer como «Senhor», acrescentando: «Se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros».